5.13.2014

Identidade outorgada

Olho-me de cima a baixo,
Como se fosse um objeto.
Pergunto-me se sou eu o ser que vejo em reflexos
Dispersos nesta sala coberta de espelhos.
Estes olhos fingem ver algo que nunca viram antes,
Quisessem eles não ver.
Fora desta divisória mais uns quantos me percorrem,
Avaliando cada pedaço de alma e corpo que aparento ser/ter.
Sinto-me alvo no meio deste descampado.
Queria ter muro consistente e cimentado em meu redor.
Não bastam as paredes que ergui,
Estas apenas revestem o meu interior.

Atento no que me rodeia,
Reparo que no meio de tanta putrefação
Ainda existe algo que me faça acreditar na humanidade.
A fragilidade de um novo ser, bondades alheias…  

O melhor será demolir estas paredes.


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