9.14.2014

Naufrágio

Apetece-me chorar
Sem razão aparente.
Preciso
Tal como o meu corpo precisa de água.
Preciso
Como se nunca tivesse chorado.
Estou a naufragar
Com as lágrimas acumuladas
De anos sem fim.
A cada dia que passa,
O peso é maior.
Não sei como o libertar.
Quiçá o melhor seja afundar,

O capitão nunca deixa o seu navio.



9.10.2014

Ode de febris sonhos

Sonho,
Rei e soberano.
Comandas o homem
No quotidiano enfadonho.
És veneno.
Elevas expectativas ao comum mortal,
Chacinas sem pensar.
Que seria de mim sem ti?
Se já pouco ou nada me resta
Que me preencha o espírito.
Seria vago,
Prefiro ser máquina.