2.24.2014

Vago

Sinto-me sozinho, de alma. Sozinho
Mas como não sentir se o vazio não emana senão nada?
 Perco os meus dias a tentar viver a vida de um,
Enquanto me apercebo que sou ninguém.
Ando em círculos nesta sala redonda
E tudo me parece linha recta.
Suponho que antes de um ponto de chegada deveria partir.
Cego
Procuro as janelas que me guiem pela primeira vez ao ultimo destino,
As lágrimas caem ilesas de um choro silencioso.
A existência assusta-me,
Não por findar, mas pelo que me assombra.

Talvez seja bom temer algo, ainda não estou no entorpecimento.


2.22.2014

I



“I hope the exit is joyful and i hope never to return.” 
Frida Kahlo

Negro

Acendo um cigarro
Mais um no meio de tantos
Deixo que o fumo percorra cada alvéolo
Na esperança que acalme esta apatia que me desola.
No vazio da noite,
Nada vejo, nada sinto
Como se fosse parte da imensidão negra que me rodeia
E deixo que esta me envolva num gesto solene.
Sou dela.

O breu da minha alma encontrou uma casa.

2.21.2014

sobre o amor

Alegra, entristece,
Anestesia, endurece,
Exalta, enfurece,
Liberta, prende,
Apaixona, Enche,
Enaltece, inveja,
Fideliza, trai…        

Finda       



( )

é apenas mais um dia em que a inspiração me falha


2.19.2014

...

Doí-me a alma,
E tudo o resto se segue.
Tremo consumido pelo medo,
O medo do esquecimento
Não me quero perder.
O vazio alastra à medida que cravo as unhas na carne de que sou feito,
Quero sentir-me humano.
Tento gritar, em vão.
Deixo-me ficar encolhido nas profundezas do meu ser
Para que a escuridão preencha o que sobra.

Pelo menos o vazio é silencioso.

2.18.2014

Breve

Cada sopro,
Menos um
Tao efémera e frágil é a vida.
Passam dias, meses, anos
Nada muda, tudo se altera.
Conta o tempo,
Esperamos alcançar o nada para ter algo
E do nada se passa
Tudo para ser feliz,
Espero um dia alcançar o nada e desse nada encontre algo
Que posso marcar a minha insignificante existência

E preencher o vazio que sou.


Noites

Nem tudo em verso se escreve, aproveitem o embalo nesta noite fria de inverno e preencham a alma.

2.17.2014

Terra do Nunca


A parede nua está em sintonia com o meu corpo,
Deixo que todos os pelos ericem nesta noite branca.
Estático, permaneço no meu leito.
O tudo e o nada vagueiam o meu pensamento.
Da janela vem mais um sopro de ar,
Arrepio.
De repente o tudo consome-me,
Flashes constantes afetam-me a visão,
De um filme ao qual não consigo escapar.
Sorrio,
Ludibriado pela indiferença do meu ser.
Acordo do sonho amargo e nostálgico,
Desejo que fosse real.
Deixo-me embalar,
Voltando a terra dos sonhos de onde nunca deveria ter saído.


Arquivo I

Tive um sonho
Não de liberdade, de dor.
O ar tornou-se rarefeito,
Todo o meu corpo é água
E a temperatura não para de subir.
Tento acalmar-me mas rápido me apercebo que é impossível
Espero que a dor me consuma rápido,
Num gesto singelo.
Tem-me no seu regaço,
Deixo-me embalar de novo pela excruciante realidade.

Um novo dia virá!

2.16.2014

Palavras


Palavras?
Palavras nascem e renascem na boca dos que somente pensam.
Palavras cortam, afogam e levam a respiração dos que são calados pelo destino vil
Destino esse tao incerto,
Capaz de arrancar as palavras de onde não deveriam sair.
São espadas que dilaceram sem hesitar
Palavras não podem ser retiradas, não podem voltar ao sossego do vazio…
“Penso logo existo? “
Se pensar existo se não pensar o contrário?
Peço que não pense para não existir, pois a minha presença inquieta a mim mesmo.
Aguardo na solidão do meu ser o lugar na fila dos perdidos, um espaço de terra que me aconchegará um dia.


Incerteza, apenas incerteza.



Devaneios

Perco-me,
Em cada esquina da minha alma quebrada, 
Nas memórias que outrora foram mais que imagens perdidas no tempo.
Deixo que me afoguem 
Como mar tempestuoso sedento de vida.
"Leva-me", suspiro
À medida que a imensidão me consome, sorrio,
Resta-me apenas que o pensamento me deixe

E me desole, neste devaneio que nada passou do nada.