3.21.2014

Pesadelo II

Acordo sobre uma mesa.
Tento levantar-me mas em vão,
Nada sinto do pescoço para baixo.
Olho em volta à procura de algo que reconheça,
Estou em casa.
Tento gritar mas algo me prende os lábios. 
O meu coração dispara quando ouve passos firmes.
Alguém se aproxima com o rosto tapado,
Nada diz, apenas me fita.
Traz consigo uma panóplia de ferramentas
Que cuidadosamente pousa junto ao meu corpo despido.
Não sei o que fará mas brevemente descobrirei.
Examina-me uma última vez e começa a sua lida.
O barulho frio da lâmina a desfazer a minha carne ecoa,
E o vermelho sangue vivo corre em liberdade.
Vejo o meu pé decepado e ele prossegue.
Joelho, anca, falanges,
Cortar-me-á todas as articulações que sustem o meu esqueleto.
Deixo cair uma lágrima impotente,
É tudo o que sou capaz de fazer.
A poça sanguínea é cada vez maior e
Cada vez mais me sinto mais débil.
Ele já não me olha, a sua obra consome-o.
Deixo este mundo banhado de vermelho viscoso.


Desperto num tormento,
Salto da cama acendendo a luz rapidamente
Deixo-me cair de joelhos sem fôlego,
Preciso de ar.
“Calma, calma”,
Fico encolhido sobre mim mesmo.
Hoje o dia começou cedo.




2 comentários:

  1. Que mais posso comentar eu de novo acerca do que escreves? Pouco mais à a dizer. Ou melhor muito poderia eu dizer, mas acho que para tal precisava de 'engolir' um dicionário de língua portuguesa, para arranjar as palavras certas. Assim basta-me dizer: "estou sem palavras". A expressão só por si, penso eu, diz 'quase' tudo :)

    Só uma observação. Adoro a forma como acabas todos os teus textos. Como levas toda a tua escrita, desde o inicio do texto para no fim acabares, como demonstras neste teu texto, numa forma muito interessante :)

    um abraço Pedro :)

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    1. Meu caro
      mais uma vez agradeço pelas palavras é muito importante para mim, ganho um dia, mais um deles.
      Só tenho pena de não saber quem se trata pois sinto que nunca agradeço o suficiente.

      Um abraço
      Pedro

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